Pão e rosas

segunda-feira, 8 de março de 2010
Nosso canto é o espanto
Dos que nos julgaram mortas
Pão e Rosas Pão e Rosas
Eu sou confronto do pranto
A agonia que estoura
Pão e Rosas Pão e Rosas
Eu vou rimando e marchando
Chega de dor, quero glórias
Pão e Rosas Pão e Rosas
O medo aqui já foi tanto
Mas será nossa a vitória
Pão e Rosas Pão e Rosas

Já não mais peço, exijo
Hoje eu renego seus livros
Com seus heróis e princesas
Suas ditadoras belezas
Fraqueza aqui não é virtude
Seu discurso não me ilude
Suas condolezas não falam por mim e nem por nós
Sou Zeferina, Luiza Mahin, não calam nossa voz
Mulher que busca na luta emancipação
Me fez de escrava, mucama
Me fiz guerreira que inflama
Que se rebela e que chama
Não silencia, não cansa, avança
Me fez de ama de leite
Meu estupro foi seu deleite
Hoje me diz foi fraterno
Sua teoria farsante não quero
Sou reverso da submissão, não parei
Já nos tumbeiros fiz insurreição, confrontei
Incendiei seu engenho, fiz revolta dos malês
Eu te matei com veneno, levantes organizei
Cadê meus filhos jogados, largados na roda dos expostos
Cadê meu seio arrancado, cadê meus irmãos mortos

Sangue nos dedos cortados, marcados
Sem freios assim trabalho dobrado, acelerado
Suor no corpo, no rosto
Quarenta graus de sufoco
Correu a lágrima, sequei
A dor ainda não matei
Eu sou aquelas operárias que você matou
As lutadoras em greve que você incendiou
Sou as mulheres na Rússia no seu sangrento domingo
Eu sou a mãe que ergue a bandeira vendo preso o seu filho
Sou palestina em Gaza combatendo sionista
Sou mexicana em Oaxaca enfrentando a polícia
Sou Rosa Parks sentada no banco que é do branco
Que não levanta, não cede, causando tanto espanto
Sou a menina na noite explorada por turista
Sou haitiana estuprada por um prato de comida
Nas plantações de algodão eu sou o canto do blues
Voz que ecoa e levanta os escravizados no sul
Se vocês homens não vão, nós mulheres iremos
Contra os ingleses em Gana Asantewaa combatendo
Não sou lamento fracassou seu intento de me apagar
Ainda me agüento mesmo no relento eu vou desafiar
Rasgando os véus e suas regras que nossas vidas destroçam
Já não aceito seus preceitos, sou também Pão e Rosas.

Mara Onija (Coletivo Literatura Suburbana)

Ser mulher...

Ser mulher é ter coração cheio de amor para dar.
É usar o seu sexto sentido para ajudar os amigos.
É saber o que quer sem nem mesmo sonhar com isso.
Mulher é um ser que chora sem motivos.
Que dizem que amam ser serem correspondidas.
O ser de luta e que busca a igualdade.
É ter a força, mas ao mesmo tempo a doçura.
É ser feliz por um simples sorriso de criança.
Ter filhos e sentir a felicidade de ver aquele pequenino crescer.

Ser mulher é ter a luta no sangue e o amor no coração.
É chorar de uma história triste ou alegre.
É acreditar que umd ia chegará lá
Sonha um sonho impossivel mas acreditar que em conjunto se tornará realidade.
É se preocupar com um mundo sem deixar a vaidade.
Mulher, mulher, mulher...
Essa palavra é mais doce do mundo.
palavra que lembra força e amor.
Mulher brasileira que mostra a sua cara e não se deixa abalar.
Mulher que luta por seus direitos todos os dias e que ainda assim é descriminada.
Mulher sem raça, que tem amor por todas elas.
Mulher que fez o mundo mais colorido e alegre.
A luta continua...


Feliz dia de luta das mulheres.

De saco Cheio!!!!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Derepente me senti de saco cheio.
Não sinto mais vontade de nada, parece que tudo vai desmoronar.
As pessoas me irritam, minha vida me irrita.
Estou dura, meu coração parece uma pedra,já me disseram que quando perdemos alguém deixamos os sentimentos escondidos e é asism que me sinto hoje.
Não sinto quando as pessoas me dizem que estão com problemas...
Estou frustrada por não conseguir mudar...
Mais um ano começou e o que mudou na minha vida?
A única coisa que mudou é a saudade enorme que tenho dentro do peito é a falta que o maior homem da minha vida faz...
Cara como é dificil ter que aceitar, ter que continuar e crescer...
Tenho que ter forças, mas tá dificil...
Papai, me ajude a superar, quero crescer, quero ter novas experiências, novos ares novos amores...
Sinto sua falta...
Será que vou continuar com minhas idéias?
Será que minha ideologia vai mudar?
Não quero mudar, quero ser eu mesma e continuar desenvolvendo o meu trabalho, mas preciso de expectativas, preciso de mudanças...
Tô de saco cheio de viver a mesma coisa todos os dias...

Rifa - se um coração!

domingo, 29 de novembro de 2009
Rifa-se um coração.
“Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.


Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...


Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.


Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.


Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.

Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"


Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.


Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta...”





Por Clarice Lispector